Crise da Educação na Concepção de Edgar Morin

 

 

A monografia que pesquisei e que aqui apresento: "A Crise da Educação na concepção de Edgar Morin". Antes a família dava a educação básica para os filhos. Atualmente, percebemos que o papel se inverteu, os pais, transferiram toda a educação para a escola e para os educadores, consequentemente esses ficaram sobrecarregados. Outro problema são as correntes políticas que tentam implantar a seu modo um modelo de educação que atendam seus próprios interesses políticos e econômicos.
Fundamentei-me em Morin por que é um dos pensadores mais destacado, na atualidade, devido ao seu interesse e empenho em estudar temas como: a complexidade, natureza, mente, sociedade e educação. "A Educação deve contribuir para a autoformação da pessoa (ensinar a assumir a condição humana, ensinar a viver) e ensinar como se tornar cidadão. Um cidadão é definido, em uma democracia, por sua solidariedade e responsabilidade em relação a sua pátria. " Edgar Morin, defende que a educação deve ser um instrumento não só para o indivíduo adquirir um conhecimento teórico do conteúdo, mas, deve também levar a um conhecimento prático que ele possa assumir uma condição humana. A educação deve ensinar questões práticas da vida e esta prática deve estar a serviço da solidariedade e com a responsabilidade de cidadão que respeita e valoriza sua pátria.
Morin na Conferência Nacional da Educação, realizado em 21 de janeiro de 2010, no Rio de Janeiro diz que: a educação está em crise, mas não uma crise só por ela, mas que envolve outros fatores como a economia, problemas sociais, políticos e também uma crise da civilização.
O que me levou a se interessar por esse tema, foi após ter participado de um simpósio de filosofia que tinha como tema "Complexidade" onde foi apresentado a temática " Complexidade e Educação". Através disso busquei aprofundar o tema educação, a qual acredito que é uma das formas que podem contribuir para uma sociedade igualitária, desalienada, isto é, consciência critica de sua realidade e da sociedade em que vive. A metodologia utilizada no trabalho foi reflexiva mediante obras de Morin e comentadores.
O objetivo geral do trabalho é analisar a crise da educação na concepção de Edgar Morin. Os objetivos específicos é situar a biografia e o contexto histórico do autor, analisar a crise da educação e apontar as propostas do autor para a educação.
Apresento agora um resumo dos 3 capítulos e uma conclusão. No primeiro momento pesquisamos a vida e o contexto histórico e influência. Edgar Morin foi influenciado pelo pensamento de Karl Marx. O pensamento marxista foi uma abertura e não um fechamento. Não considera a teoria de Marx reducionista ao qual explica a história humana através da luta de classes e pelo desenvolvimento da força produtiva do contrário. Suas principais obras são: "O Método" e " Os Setes Saberes Necessários para a Educação do Futuro". Morin vive e continua produzindo.
No 2°capitulo fizemos uma análise da educação no século XX e as suas heranças deixadas para o século XXI. Percebemos que o século XX lançou vários desafios sem sombra de dúvidas. Há uma forte pressão de sobreadaptativa que pretende adequar o ensino e as pesquisas ás demandas econômicas, técnicas administrativas do momento, aos últimos métodos. As últimas imposições do mercado assim como reduzir o ensino geral e marginalizar a cultura humanista.
Em seguida pesquisamos os setes saberes necessários para educação que são: Conhecimento; Conhecimento pertinente; a condição humana; a compreensão humana, a incerteza; a era planetária; a Antropoética.
A respeito do conhecimento refletimos sobre as alterações do conceito que se deram em duas que são: a separação e a fragmentação. A questão da separação se refere a respeito da separação da cultura humanista e da cultura cientifica. A humanista tinha por função nutrir a inteligência geral e ela busca refletir os problemas do homem fundamentados apenas na filosofia e esquece-se de dialogar com a cultura científica. O mesmo acontece com a cultura científica, que reduz o homem somente na teoria, mas não é capaz de levar a uma reflexão.
Em relação à fragmentação, podemos até dizer em pensamento fragmentado o qual mecaniza o homem, tirando aquilo que humaniza e o transforma em algo artificial, isto é, sem vida, pois tira dele as categorias importantes como: subjetivo, afetivo, etc.
No conhecimento pertinente analisamos que devemos contextualizar e organizar as informações que recebemos, já que todos os dias se recebem muitas informações as quais se tem dificuldades de decodificá-las. Na compreensão humana destacamos a ética da compreensão. Essa ética ajuda a refletir a relação com o outro e o comportamento diante das pessoas. E deve levar a ter atitude de compreender sem que se façam julgamentos dos problemas, mas entender as raízes dos problemas. Importante dizer que a primeira atitude que se deve se ter diante da ética da compreensão é compreender de modo desinteressado, isto implica que ao compreender o outro se deve interessar o que se passa com o outro. Morin insiste que o humano deve estar situado no universo e não separá-lo. A era planetária faz referências aos problemas sociais e econômicos do planeta. Por fim estudamos a Antropoética a qual analisa a ética na escala humana e demos ênfase na questão da democracia e a participação do homem neste processo.
Ainda no segundo capítulo nos atemos nos educadores. Buscamos refletir seu papel verdadeiro na escola e chegamos numa conclusão que tanto os educadores como a escola, enquanto estrutura organizacional educativa não pode perder de vista que a construção de identidade da escola passa primeiramente, pela identidade, pela construção individual da identidade de seus membros, que são sujeitos desse processo, como também do processo, como do processo do conhecimento, que nessa escola se desenvolve.
No terceiro capítulo, apontamos a proposta de Edgar Morin para a educação. Dentro desta proposta refletimos a reforma do pensamento e a Transdiciplinariedade.
Reforma do pensamento é a primeira proposta que Edgar Morin orienta para sair da crise da educação. Quando se trata de reforma não é necessário partir do zero de fato. Essa reforma tem seus antecedentes na cultura da humanidade, na Literatura e na Filosofia, e é preparada nas ciências. Também estudamos a reforma no ensino primário e no secundário. No ensino primário a reforma de pensamento deve partir de grandes questionamentos da curiosidade da criança que deve manter igualmente como interrogações de adulto (quem somos; de onde viemos e para onde vamos). Essas são as perguntas do ser humano, que se deve ser vista de duas formas a biológica e cultural. No ensino secundário deve se ensinar a verdadeira cultura geral, deve se fazer um diálogo entre a cultura das humanidades e a cultura científica. Edgar Morin propõe que se tenha filosofia no ensino secundário. Justifica que a filosofia possibilita que o sujeito aprende a fazer distinções do que é científico e não é. Também refletimos a importância do professor do ensino secundário valorizar a cultura do adolescente. É necessário, conhecer a história da evolução desta cultura, para que se possa conhecer seu universo, assim o educador terá facilidades em lidar com eles.
Por fim apresentamos o conceito de transdiciplinariedade, mas antes de nos atermos a este conceito, é preciso explicar o que é complexidade conceito este, que está interligado com a transdiciplinariedade. A complexidade é a qualidade do que é complexo. O termo vem do latim; complexus, que significa o que abrange muitos elementos ou várias partes. É um conjunto de circunstâncias, ou coisas interdependentes, ou seja, que apresentam ligação entre si. Daí então vem a transdiciplinariedade que se caracterizam por esquemas cognitivos que atravessam as disciplinas, ou por sua vez com tal dinamicidade. Com isso a Educação complexa nasce de uma necessidade de pesquisar novos paradigmas diante do questionamento e fragmentos tão comuns no século XXI. Portanto a transdiciplinariedade tem por objetivo de formar redes entre as disciplinas, para que entre elas possam dialogar seus conhecimentos específicos.
Concluo que a proposta trazida por Edgar Morin é bem pertinente para os dias de hoje, mas é preciso que haja mobilização política, econômica, social e principalmente tomar consciência de que quando educamos de verdade, estamos educando a criança, o adolescente o jovem para a vida em sociedade, para a cidadania e para a compreensão humana. Através disto podemos fazer uma sociedade mais justa, igualitária, solidária, consciente e fraterna.

ÉDER FABRÍCIO LOURENÇO
BACHAREL EM FILOSOFIA
FACULDADE VICENTINA

 

terça 15 fevereiro 2011 10:36



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